Com 10,4 mil membros, grupo no Facebook tenta decodificar livros de jovem desaparecido no AC

Página foi criada no dia 4 deste mês e reúne interessados no projeto de Bruno de Borges. Família do acreano também está no grupo, que é fechado.

Com a repercussão do desaparecimento do estudante de psicologia Bruno Borges, de 24 anos, desde o dia 27 de março, um grupo no Facebook reúne mais de 10,4 mil membros na tentativa de decodificar os 14 livros criptografados que o jovem deixou em casa. A página “Bruno Borges – Estudos” foi criada no dia 4 deste mês.

O administrador da página, o estudante universitário paranaense Alexandre Marques, de 24 anos, explica que, diferente de outras com teor cômico, a ideia foi juntar pessoas realmente interessadas em compreender o projeto de Bruno. Parentes e amigos do acreano também fazem parte do grupo, que é fechado.

“Não imaginava essa repercussão. O grupo na verdade é mais voltado para o estudo do trabalho do Bruno, de toda aquela coisa no quarto dele. Temos familiares, amigos bem próximos a ele. Não aceitamos publicações ofensivas ou piadas, pois o que para muitos pode ser engraçado para a família é ofensivo. Diversas pessoas já foram excluídas”, diz.

Marques ressalta que membros espalhados pelo país têm se empenhado na decodificação, mesmo com o pouco conteúdo divulgado. “Inclusive eu já fiquei horas em umas escritas. Infelizmente, temos essa ‘limitação’, dependemos das imagens dos vídeos e das reportagens para podermos fazer a decodificação”, acrescenta.

O estudante acredita que existe um propósito para todo o trabalho de Bruno e que o desaparecimento serviu para chamar atenção ao caso. “Ele levou anos para concluir o seu projeto, no qual acredito ter algo muito importante. Seja qual for o rumo que essa história tome, o Bruno conseguiu fazer com diversas pessoas se interessassem pelo conhecimento, pela leitura”, salienta.

Em entrevista ao G1, a família do estudante afirmou que já havia identificado cinco tipos diferentes de criptografias nos escritos do jovem – alguns em forma de livro e outros espalhados pelo chão, paredes e teto do quarto. A irmã mais velha, a empresária Gabriela Borges, de 28 anos, falou que desde o sábado (8) dois volumes começaram a ser decodificados por meio de um programa de computador.

“São mais de cinco tipos de criptografias usadas por ele [Bruno], umas bem simples e umas bem mais complexas. As mais simples são as que alguns internautas já decodificaram, são apenas cifras de substituição. Entretanto, tem outras que vão exigir um pouco mais de estudo para serem descriptografadas”, falou.

Desaparecimento

A última vez que os parentes viram Bruno, no dia 27 de março, foi durante um almoço de família. O jovem voltou para casa e todos – mãe, pai e os outros dois irmãos – seguiram o dia normal de trabalho. Mais tarde, o pai dele, o empresário Athos Borges, retornou à residência da família e percebeu que o filho não estava.

No quarto do estudante, que ficou trancando por mais de 20 dias enquanto os pais viajavam de férias, foi encontrada – além dos 14 livros – uma estátua do filósofo Giordano Bruno (1548-1600). Os escritos, segundo a família, eram feitos há pelo menos quatro anos.

O artista plástico Jorge Rivasplata, autor da estátua, disse que acredita que Bruno seja a reencarnação do filósofo – queimado durante a inquisição – e tenha completado a obra dele. A escultura, de dois metros, foi entregue ao jovem no dia 16 de março e finalizada pelo próprio artista dentro do quarto. Pelo objeto, o artista disse que recebeu inicialmente R$ 7 mil e, em seguida, mais R$ 3 mil.

O sumiço acabou inspirando a criação de alguns jogos para smartphone. Os aplicativos foram disponibilizados na Play Store, do Google, com os nomes “Menino do Acre”, “Encontro o Menino do Acre” e “Alquimistas do Acre”.

Na trama de um dos jogos, os jogadores devem desvendar o mistério que envolve o desaparecimento coletando os livros criptografados ao logo do percurso. No entanto, é necessário ser rápido e tomar cuidado para não cair em um rio de lava.

Outro game pede que o jogador toque na tela para procurar o “menino do Acre”. O jogo faz alusão à brincadeira do “quente ou frio?” e dá algumas chances para que Bruno seja encontrado antes de desaparecer para sempre.

Sobre as investigações, o delegado Fabrizzio Sobreira, coordenador da Delegacia de Investigação Criminal (DIC), afirmou que os amigos que ajudaram Bruno nas escrituras e criptografias teriam feito um pacto de sigilo para que objetivo real do projeto não fosse revelado.

g1

14/04/2017

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